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Ana Maria e Dalva: A história que precisava ser contada

Após anos de luta, Dalva aprendeu que em toda mulher existe uma grande mãe
Postado em: 25/05/2021 às 08:02
Autor: Adriana Nagazako
Ana Maria e Dalva: A história que precisava ser contada

Ana Maria tinha muitos sonhos. Um dia, apaixonou-se pelo primo, mas a família impediu o relacionamento. Decepcionada, decidiu que não iria mais se casar.
Ela seguiu sua vida da maneira simples que sabia. De outros relacionamentos, teve seus filhos, que passaram a ser sua vida: abriu mão de tudo pelo bem deles.

As crianças ficavam com a avó. Ana saía de Catanduva em busca de trabalho em outras cidades. Um bico aqui, outro ali. O importante para aquela mulher era levar o sustento para casa.
Na época da colheita da laranja, levava os filhos para o pomar. Colocava os pequenos acomodados debaixo da laranjeira, enquanto colhia as frutas. A filha mais velha também ajudava na colheita e a cuidar dos irmãos, que viam por entre as folhas o sol que ardia na pele da mãe.

A vida continuava difícil, porém a obstinada Ana Maria incentivava os filhos a seguir o caminho do bem. Procurou educá-los como podia, e sempre dizia para que acreditassem na felicidade. "Como podemos ser felizes vendo a mãe assim?", pensavam.

Sem emprego, Ana e um dos filhos foram para a rua recolher latas. Era a maneira de continuar trabalhando, juntando dinheiro para uma moradia. Tempos depois, ela conseguiu comprar uma residência simples, mas que era sua. Enfim, sua casa.

Cada filho conseguiu, com trabalho e suor, seguir um caminho, sempre lembrando dos conselhos da mãe.

Um dia, Ana Maria ficou doente. Dalva, a filha mais velha, acompanhou a mãe, que foi encaminhada a Barretos. Lá, o diagnóstico foi de câncer. "É o tumor bonzinho", disse o médico, vendo a simplicidade de Ana. Dalva sabia que a doença acabaria com as forças da mãe e dela também.

Mesmo com tratamento, veria a mãe cada vez mais debilitada pela temida doença.
Ana Maria tratou do câncer no hospital em Barretos durante 12 anos. Nestes anos, Dalva queria aproximar os irmãos, que diziam que ela era a filha preferida. Queria provar que eles eram amados, pois, para ela, o que diziam não fazia sentido: "uma mãe ama todos os seus filhos", afirmava. E com o coração dolorido, sugeria a mãe que chamasse o irmão ou a irmã mais novos, pois ela estava cansada das viagens. "Tá cansada de mim, né filha? Eu sei que cansa, mas só você entende como funcionam as coisas lá, você 'tava' comigo sempre, me carregou, é minha amiga". Dalva continuou se dedicando a mãe, em tempo integral. Nada, nem sua família, iria fazer com que ela desistisse.

Ana Maria buscou a cura em uma religião. Foi ao culto e levantou as mãos para o céu. A filha viu aqueles os braços magros e envelhecidos e pediu a Deus que a mãe vencesse a doença.
Em março de 2005, o câncer levou Ana Maria, aos 61 anos.

A cena ficou na mente de Dalva. "Minha mãe faleceu nos meus braços", dizia em meio as lágrimas. Era como se a própria vida tivesse acabado. Levantar pela manhã era se sentir um "nada", pois onde estava a mãe para dizer que estava ao seu lado?
Ter seus filhos e netos deram força para que Dalva continuasse vivendo. Buscava o conforto olhando para o céu, procurando a vida de Ana Maria, que havia voltado para Deus.

O tempo passou. Dalva coletou reciclagem, abriu uma pequena loja, continuou ao lado dos filhos, cultivou amizades. Se considera uma super mãe.
"Mesmo com todo o desprezo, com todo o sofrimento que minha mãe enfrentou, sou essa mulher por causa dela. Quando tecem elogios pra mim, digo que devo tudo a ela e a este amor. Hoje somos uma família abençoada porque tivemos uma mãe maravilhosa".

Dalva diz, emocionada: "Atrás de uma mulher geniosa, difícil, que não deixa transparecer os sentimentos, existe uma grande mãe. E tudo é para educar seus filhos, pois a educação vale mais do que qualquer papel. Quantas mães estão sofrendo com essa pandemia? Quantas mulheres estão trancadas em casa, com um casamento ruim, mas suportam tudo pelos filhos? A vida não oferece nada para nós, temos que levantar e buscar o melhor. Ser mãe não é para qualquer uma e eu precisava contar essa história."

Ser mãe e guerreira: foi o que Dalva aprendeu.
 

De segunda a sexta, uma história por dia na programação da Rádio Cultura durante o mês das mães. Saiba mais sobre a história de Ana Maria e Dalva no nosso programete especial: https://bit.ly/2QUTDmg



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