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Cultura
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Espetáculo "Xabisa" une cultura afro-brasileira à arte do palhaço

Encenação será realizada às 14 horas, na EMEF Gilda Rocha de Mello e Souza, gratuitamente
Postado em: 26/06/2019 às 16:41
Autor: Redação
Espetáculo

Inspirados no trabalho de cômicos brasileiros e internacionais e na cultura afro-brasileira, os atores Alexandre de Sena e Michelle Sá apresentam "Xabisa" nesta quinta-feira, 26 de junho, dentro da programação da 31ª Semana Luís Antonio Martinez Corrêa. A encenação será realizada às 14 horas, na EMEF Gilda Rocha de Mello e Souza, gratuitamente.

O espetáculo propõe um encontro entre o humor dos jogos de palhaço e os elementos ancestrais da cultura afro-brasileira. "Xabisa" é uma palavra da língua Xhosa, de origem bantu (África Subsaariana) que, em português, significa "Valorize".

Na peça de mesmo nome, duas pessoas que estão em uma caverna onde, separadas, buscam por riquezas. Nessa procura, entre obstáculos físicos e socioculturais, os personagens encontram a si mesmos. Durante o percurso vão saudar seus ancestrais por meio da fala, da música e da dança.

Na pesquisa das técnicas de jogos de palhaço, a dupla contou com a colaboração de Esio Magalhães, integrante do grupo Barracão Teatro (SP), por sua expertise na arte da palhaçaria. A equipe criativa se completa com Josi Lopes (preparação vocal), Nath Rodrigues (preparação corporal) e Stanley Levi (direção musical). A direção é coletiva, realizada pelos atores, Alexandre de Sena e Michelle Sá e Esio Magalhães.

A Semana Luís Antonio é uma realização da Prefeitura Municipal de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal da Cultura e Fundart (Fundação de Arte e Cultura do Município) - em parceria com o Sesc-Araraquara, Sesi-Araraquara e Senac Araraquara. O evento recebe o apoio do governo federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Fundo Nacional da Cultura e Ministério da Cidadania (Secretaria Especial da Cultura). A programação da Semana Luís Antonio pode ser acompanhada no site da Prefeitura de Araraquara e é toda gratuita.

 

Dramaturgia

O palhaço é uma figura tão popular quanto antiga, se fazendo presente em, praticamente, todas as culturas. Ao buscar formas de abordar os temas relacionados à diáspora negra no Brasil, Alexandre de Sena e Michelle Sá encontraram um caminho na linguagem da palhaçaria. "Somos de cursos tradicionais de teatro e, por muitas vezes, recebemos referências teatrais eurocêntricas. Muito do que sabemos e praticamos em cena, foi adquirido por meio de pesquisas empíricas. Somos artistas negros participantes de aglomerados de coletivos que atuam na cidade de Belo Horizonte, que refletem o teatro feito hoje. Procuramos desestabilizar e trilhar caminhos que não nos foram apresentados nos locais de conhecimento", comenta Michelle Sá, atriz que também atua no coletivo As Bacurinhas, e nos espetáculos "PassAarão" e "Real" do Grupo Espanca.

Ambos os atores não são palhaços de formação, mas trabalharam em cena, com o apoio de Esio Magalhaes, os arquétipos de palhaço Branco e Augusto, e uniram essa linguagem a elementos da cultura afro-brasileira. Uma forma de explorar novos lugares na arte do palhaço e prestar uma homenagem aos cômicos negros nacionais e internacionais.

 

Ancestralidade africana

As roupas brancas e as guias (adereços) do Candomblé, o som dos berimbaus da capoeira, dos tambores, as palavras da língua Xhosa e a dança Gumboot são algumas das referências afro-brasileiras trazidas para a cena em Xabisa. A língua Xhosa, por exemplo, é de origem bantu nguni, um dos idiomas da África do Sul, falada por, aproximadamente, 19 milhões de pessoas, somando os que falam enquanto língua materna e segundo idioma.

A dança Gumboot também nasceu na África do Sul, no final do século XIX. Nessa época, os colonizadores britânicos exploravam as riquezas do país, a mão de obra barata e escrava. Os trabalhadores mineiros eram obrigados a permanecer em locais insalubres, além de serem amarrados uns aos outros e impedidos de conversar entre si. Para enfrentar a umidade e poças de água no chão, usavam botas de borracha. Foi então que, a movimentação do corpo, os gritos, as palmas e o som das botas encostando umas nas outras, foram percebidos como ferramenta de diálogo sem a necessidade de usar seus idiomas. Assim nasceu o Gumboot, que de estratégia de sobrevivência foi aperfeiçoado e se transformou em dança e diversão. Durante sua execução, os dançarinos permanecem com a coluna curvada, as pernas dobradas, e a mão aberta batendo na bota, provocando o som alto ao executar os passos.

"A utilização do gesto e do som, presentes na língua ancestral, na dança e na linguagem do palhaço, como formas de questionamento, são um terreno fértil para construção de discursos, e foram matérias-primas para a criação da peça", afirma Alexandre de Sena, ator e integrante do Grupo Espanca!

 

Ficha técnica:

Elenco: Michelle Sá e Alexandre de Sena

Direção Coletiva: Esio Magalhães, Michelle Sá e Alexandre De Sena

Roteiro dramatúrgico: Michelle Sá e Alexandre de Sena

Preparação Vocal: Josi Lopes

Preparação Corporal: Nath Rodrigues

Direção Musical: Stanley Levi

Iluminação: Edimar Pinto

Produção executiva: Aristeo Serra Negra

 

Serviço:

Semana Luís Antonio Martinez Corrêa apresenta "Xabisa", com SubverCia

Dia: 27 de junho (quinta-feira)

Horário: 20 horas

Local: Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues (Av. Espanha, 485 – Centro)

Classificação: 14 anos

Grátis