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Araraquara perde Irmã Edith

Maria da Conceição Costa, religiosa e educadora atuou incansavelmente na alfabetização de crianças e adultos
Postado em: 05/03/2018 às 11:11
Autor: Redação
Araraquara perde Irmã Edith
Irmã Edith recebeu, em 2017, o prêmio Heleieth Saffioti

Faleceu nesta segunda-feira (5), em Araraquara, a educadora Maria da Conceição Costa, a irmã Edith. Pioneira do Projeto de Educação para Adultos e Jovens de Araraquara (Proeaja), criado por ela em 1999, Irmã Edith teve influência decisiva na vida de pelo menos 10 mil alunos formados desde então, sem contar os tantos outros estudantes, catequizandos, professores e profissionais da área social que encontrou ao longo dos 60 anos que dedicou à educação. Ela faria 85 anos nesta terça-feira (6). As causas da morte não foram divulgadas.

Irmã Edith nasceu na cidade de Piracicaba. Filha de Bibiano Costa e Sebastiana Silva Costa, tinha três irmãs. Com seis anos e meio, quando estava sendo preparada pelas Irmãs Franciscanas para a 1ª Eucaristia, sentiu sua vocação religiosa. No dia da sua Primeira Comunhão, disse a uma das irmãs que se tornaria uma freira da ordem das Franciscanas. Porém, com tão pouca idade, sua mãe lhe respondeu que ela teria de experimentar um pouco da vida antes de entrar para um convento.

Estudou na Escola de Artes criada pelas religiosas, sem nunca desistir da ideia. Como aprendia piano, seu pai chegou a dizer que lhe compraria um se ela desistisse de ir para o convento. Irredutível, ela sempre respondeu que não. Em 1949, aos 17 anos, entrou para o convento em Araraquara. O hábito religioso foi recebido em 1952, junto com o nome Irmã Edith Costa.

Irmã Edith dedicou 59 anos a transformar vidas, com a formação de jovens e adultos, por meio da educação. Em 1999, iniciou o trabalho com o Projeto de Educação para Adultos e Jovens de Araraquara (Proeaja), tendo como objetivo erradicar o analfabetismo em Araraquara. O projeto começou com uma equipe de 11 professores e funcionários voluntários e 50 alunos no Externato Santa Terezinha, coordenado pelas Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição. Dois anos depois, o Proeaja já contabilizava mil alunos e 50 voluntários. Em 2001, o grupo firmou convênio com a Prefeitura, que trouxe para Araraquara o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), programa criado por Paulo Freire. Irmã Edith também dá nome ao prédio do Núcleo de Alfabetização de Jovens e Adultos (Neja), da Prefeitura de Araraquara.

Símbolo de solidariedade humana

 

A Prefeitura de Araraquara decretou luto oficial de três dias. Em nota, o prefeito Edinho Silva (PT) disse que a irmã Edith "foi a pessoa que mais lutou para que a população de Araraquara tivesse conhecimento, criou, em 1.999, o PROEAJA (Programa de Educação e Alfabetização de Jovens e Adultos), garantindo educação e alfabetização para milhares de pessoas. Certamente, o trabalho realizado por ela a frente da alfabetização de jovens e adultos permitiu que muitas pessoas tivessem formação, conhecimento, e por consequência, acesso ao mercado de trabalho. Seu trabalho deu mostras concretas de que é possível construir uma sociedade mais justa, inclusiva. Ela só se afastou do programa em 2012, devido aos problemas de saúde. Uma mulher de fé, religiosa, que tinha grande paixão pela música, foi por toda a vida envolvida com as questões sociais, dedicando mais de 60 anos para aqueles que mais precisam. Um símbolo de solidariedade humana".